Depois do sucesso de Uma Verdade Inconveniente, que rendeu Oscar e Prêmio Nobel ao ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, agora é a vez de Leonardo Di Caprio mostrar que não é apenas um ator em ascensão, alheio a situação do planeta, cada vez mais degradado. Essa nova celebridade-verde produziu e apresenta o documentário A Última Hora (The 11th Hour, no título original), que tem a missão de fazer um alerta sobre os problemas ambientais que perturbam o equilíbrio da Terra.
Ao contrário da obra de Gore, no qual o ex-futuro presidente dos EUA, como ele mesmo gosta de se denominar, é basicamente a única fonte a argumentar, A Última Hora traz especialistas independentes e diversos, que vão de psicólogos, presidentes de associações e ONGs até um reverendo e um rabino. Mas conta também com a credibilidade de figuras conhecidas como o astrofísico Stephen Hawking, o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev e Andrew Revkin, especialista em meio ambiente do The New York Times.
A comparação entre os documentários de Al Gore e Di Caprio é inevitável. Apesar da ausência de depoimentos, o vídeo do político democrata é mais provido de dados científicos. Números e gráficos são apresentados de forma digerível e com uma qualidade visual inegável. Tal abordagem só é possível porque a obra se concentra em apenas um assunto, o aquecimento global, sem se dispersar por outras questões ambientais.
No caso d’A Última Hora, a situação é inversa. Ao empilhar 90 minutos de entrevistas, o roteiro irregular mais parece uma metralhadora giratória, mirando em todos os problemas ambientais do planeta, de forma superficial. Do petróleo ao desmatamento, daí para os oceanos e, em seguida, à poluição dos rios americanos, o documentário de Di Caprio sacrifica fluência e sentido, assim como a credibilidade. Por incrível que pareça, a obra é mais assustadora que Uma Verdade Incoveniente.
Mais grave são alguns depoimentos cientificamente irresponsáveis que o vídeo parece corroborar. Em um deles, o aumento do número de casos de doenças tão diferentes, como asma, câncer de testículo e mal de Alzheimer, é atribuído às mudanças no meio ambiente. Sem dados ou maiores explicações.
E a superficialidade vai além. Lá pelos minutos finais, o documentário sugere que a culpa por todos os problemas é, claro, da globalização, das grandes corporações e do governo dos EUA. Assim mesmo, sem encadear nenhuma causa e efeito.
É verdade que a obra também relaciona o estado do planeta aos excessos do estilo de vida americano. E esse é um dos pontos positivos do vídeo. Mas as críticas ao consumismo, embora justificáveis, não resultam em nenhuma solução viável. Pelo contrário, direcionam a causa ambientalista para uma utopia, condicionando a salvação do planeta à “mudança do homem”, com temerosos ares de religião. Além de gerar desconfiança, essa relação arrisca a credibilidade do movimento ambiental.
Apesar de pregar inutilmente contra o consumo, o documentário também apresenta sugestões, que no fundo tem o mérito de defender a utilização do conhecimento científico e tecnológico como ferramenta para melhorar a convivência do homem com a natureza. Trata-se de uma forma mais viável e pragmática de enfrentar o problema. O que deve ser evitado é unir a visão ambientalista a uma abordagem religiosa, como se o desastre ambiental fosse o prenúncio do Apocalipse.
Tags: aquecimento global, documentário, Meio Ambiente, planeta
20 Junho, 2008 às 11:47 pm |
ai, sou a única a nao ter blog?
gostei do nome
bj
20 Junho, 2008 às 11:48 pm |
“Seu comentário está esperando moderação”
tem censura, é?
25 Junho, 2008 às 11:30 pm |
Felipe!
Gostei do blog! Textos bastante completos.
Ah, adorei o nome também.
beijão